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Capital de giro: por que falta dinheiro com a loja cheia

O dinheiro que fica preso na operação, a fórmula com estoque e prazos, o ciclo financeiro e quatro formas de precisar de menos giro sem ir ao banco.

Por Equipe Criando Gestão4 min de leitura

Tem um tipo de aperto que não faz sentido nenhum para quem está vivendo ele: o mês fechou com lucro, a agenda estava cheia, e mesmo assim faltou dinheiro para pagar o fornecedor.

Não é erro de conta. É capital de giro — e entender essa diferença separa o negócio que cresce do que quebra crescendo.

O que é, sem a definição de livro

Capital de giro é o dinheiro que fica preso na operação enquanto ela roda.

Você compra a mercadoria hoje, paga o fornecedor em 30 dias, vende em 40 e recebe em 3 vezes. Entre pagar e receber existe um buraco de tempo — e ele precisa ser coberto com dinheiro seu. Esse dinheiro é o capital de giro.

Quanto mais o negócio vende, maior fica o buraco. É por isso que crescer sem giro quebra empresa lucrativa.

A fórmula prática

A versão de contador é ativo circulante menos passivo circulante. A versão que serve para decidir alguma coisa numa terça-feira é esta:

`` Necessidade de capital de giro = Estoque + Contas a receber − Contas a pagar ``

Um exemplo:

  • estoque parado: R$ 38.000
  • clientes devendo: R$ 22.000
  • fornecedores a pagar: R$ 25.000

`` 38.000 + 22.000 − 25.000 = R$ 35.000 ``

Esse negócio precisa de R$ 35 mil em caixa só para continuar existindo do jeito que existe hoje. Não é lucro, não é reserva: é dinheiro imobilizado na operação.

O ciclo financeiro explica o tamanho do buraco

`` Ciclo financeiro = Prazo de estoque + Prazo de recebimento − Prazo de pagamento ``

  • a mercadoria fica 45 dias parada antes de vender;
  • o cliente paga em 30 dias, em média;
  • o fornecedor dá 30 dias de prazo.

`` 45 + 30 − 30 = 45 dias ``

Quarenta e cinco dias com o dinheiro fora do caixa. Cada dia a menos nesse ciclo é dinheiro que volta para você sem precisar de banco.

Quatro maneiras de precisar de menos giro

  1. Girar o estoque mais rápido. Comprar menos e mais vezes custa um pouco mais por unidade e devolve muito mais caixa. Produto parado é dinheiro seu dormindo na prateleira.
  2. Encurtar o prazo de recebimento. Desconto para pagamento à vista raramente é prejuízo: 3% de desconto costuma custar menos que 30 dias de antecipação.
  3. Negociar prazo com fornecedor. É a alavanca mais barata que existe, e a menos usada — quase sempre porque ninguém pediu.
  4. Cortar inadimplência. Cliente que não paga é giro que virou perda. A régua de cobrança resolve a maior parte antes de virar caso.

O erro que transforma aperto em dívida cara

Cobrir buraco de giro com antecipação de recebível todo mês é trocar um problema por uma despesa permanente. A taxa parece pequena por operação e vira uma das maiores linhas do ano — e, pior, ela não aparece em lugar nenhum da operação: some dentro do resultado financeiro, e o dono jura que o problema é a margem.

Se você antecipa recebível com frequência, calcule quanto isso custou nos últimos 12 meses. O número costuma assustar.

O que dá para enxergar no Criando Gestão

A conta lá de cima precisa de três números atualizados, e são exatamente os três que o sistema mantém: o estoque (com custo médio calculado a partir das entradas), as contas a receber e as contas a pagar, com vencimento.

O painel ainda avisa quando o caixa projetado fica negativo em alguma data futura, pelas contas que já estão lançadas — é o aviso que chega antes do aperto, não depois.

Para a outra metade da história, veja como calcular margem de lucro: margem diz se o negócio dá lucro, giro diz se ele sobrevive até o lucro chegar. E, se esses três números ainda moram numa planilha, o guia de sistema financeiro gratuito mostra o que exigir de uma ferramenta antes de confiar o caixa a ela.

Para ler depois

Ler é o primeiro passo. Fazer é o segundo.

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