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Separar conta pessoa física e jurídica: por onde começar

O que a mistura esconde, como definir o pró-labore, os cinco passos da separação e o que fazer quando você precisa mesmo usar o dinheiro da empresa.

Por Equipe Criando Gestão4 min de leitura

Se você usa a mesma conta para pagar o fornecedor e o supermercado, existe uma pergunta que seu negócio não consegue responder: ele dá lucro?

Não é questão de organização. É que os dois dinheiros misturados produzem um saldo que não significa nada — nem para você, nem para o contador, nem para o banco no dia em que precisar de crédito.

O que a mistura esconde

  • o lucro real. Se a compra do mês tem mercado e fornecedor no meio, o custo do negócio está inflado e a margem parece pior do que é — ou o contrário;
  • o quanto você custa. Quem tira dinheiro "conforme precisa" não sabe quanto tira. E não sabendo, não consegue dizer se o negócio aguentaria pagar outra pessoa para fazer o que você faz;
  • a saúde do caixa. Saldo bom porque o cliente pagou hoje, e não porque o mês foi bom, é a armadilha que leva à compra que não cabia;
  • crédito. Banco analisa extrato. Extrato misturado é risco maior, e risco maior é juro maior.

E há o lado jurídico: separar patrimônio é o que dá sentido à pessoa jurídica. A mistura sistemática — a chamada confusão patrimonial — é um dos caminhos para a desconsideração da personalidade jurídica, quando o patrimônio pessoal passa a responder por dívida da empresa. Cada caso é um caso, e isso é conversa com advogado; o ponto aqui é que a separação existe por um motivo.

Pró-labore: o nome do seu salário

Pró-labore é o que você recebe pelo trabalho que faz na empresa. É diferente de distribuição de lucro, e a diferença importa:

  • pró-labore é remuneração de trabalho, tem INSS e é mensal;
  • distribuição de lucro é o retorno do dono sobre o resultado, e só existe se houve resultado.

Quem só tira lucro e nunca define pró-labore acaba misturando de novo — porque lucro é irregular por natureza, e conta de casa vence todo mês.

Como definir o valor

  1. Descubra quanto custaria contratar alguém para fazer o que você faz. Esse é o piso honesto.
  2. Confira se o caixa aguenta esse valor num mês ruim, não no melhor.
  3. Fixe a data — mesmo dia todo mês, como qualquer salário.
  4. Revise a cada seis meses, com o negócio na mão.

Pró-labore baixo demais não é economia: é um custo que existe e está escondido, e ele reaparece na primeira vez que você precisar se afastar.

Como separar, em cinco passos

  1. Abra uma conta PJ. Hoje há opção sem tarifa em vários bancos digitais; o custo não é mais desculpa.
  2. Mude o que entra. Maquininha, Pix de cliente, boleto: tudo passa a cair na conta da empresa. É o passo que trava a mistura na origem.
  3. Mude o que sai. Fornecedor, aluguel, imposto, folha — tudo sai da conta PJ.
  4. Defina o pró-labore e programe a transferência para a sua conta pessoal no mesmo dia todo mês.
  5. Registre as transferências. Da PJ para a PF só saem duas coisas: pró-labore e distribuição de lucro. Cada uma com o nome certo.

E quando precisa mesmo usar o dinheiro da empresa?

Acontece. O que não pode é acontecer sem registro.

  • compra pessoal na conta PJ: lance como adiantamento ao sócio e devolva;
  • dinheiro seu para socorrer a empresa: lance como aporte, não como receita — senão vira faturamento que não existiu, e o imposto vem em cima;
  • despesa mista (celular, carro): defina um percentual razoável e mantenha o mesmo critério todo mês.

A regra é simples: tudo pode ser explicado, nada pode ser invisível.

Como o Criando Gestão organiza isso

O sistema trabalha com várias contas — caixa, banco, cartão —, e transferir entre elas não vira receita nem despesa: a transferência é uma entidade própria, justamente para não contar o mesmo dinheiro duas vezes no resultado.

As categorias separam o que é custo, o que é despesa e o que é retirada, e o DRE lê essa separação. Com pró-labore lançado como despesa recorrente, ele aparece no resultado todo mês — que é exatamente onde ele precisa aparecer para a margem ser verdadeira.

Depois de separar, as próximas contas ficam possíveis: margem de lucro e capital de giro — nenhuma das duas funciona com as contas misturadas. Se a sua empresa é MEI, o guia de sistema para MEI mostra o que controlar para não estourar o limite de faturamento.

Para ler depois

Ler é o primeiro passo. Fazer é o segundo.

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