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Como calcular margem de lucro: as três que importam

Margem bruta, operacional e líquida: o que cada uma denuncia, um exemplo de R$ 80 mil que sobra R$ 2.800 e a margem de contribuição, que decide o que vender.

Por Equipe Criando Gestão4 min de leitura

"Faturei R$ 80 mil e não sobrou nada." É a frase mais comum na conversa entre dono de pequeno negócio e contador — e quase sempre ela vem acompanhada de outra: ninguém sabe dizer em qual etapa o dinheiro sumiu.

Margem de lucro é o número que responde isso. E não existe uma: existem três, e cada uma acusa um problema diferente.

As três margens, e o que cada uma denuncia

1. Margem bruta

`` Margem bruta = (Receita − Custo do produto vendido) / Receita × 100 ``

Mede o que sobra depois do custo do que você vendeu — a mercadoria, o insumo, a matéria-prima. Não inclui aluguel nem folha.

Margem bruta baixa é problema de preço ou de compra: ou você vende barato demais, ou compra caro demais.

2. Margem operacional

`` Margem operacional = (Lucro bruto − Despesas operacionais) / Receita × 100 ``

Tira as despesas de manter a porta aberta: aluguel, luz, folha, contador, software, marketing.

Margem operacional baixa com margem bruta boa é problema de estrutura: o negócio vende bem e custa demais para funcionar.

3. Margem líquida

`` Margem líquida = Lucro líquido / Receita × 100 ``

O que sobra no fim, depois de impostos e de despesas financeiras — juros, antecipação de recebível, tarifa de banco.

Margem líquida baixa com operacional boa costuma ser imposto ou banco comendo o resultado. Antecipar recebível todo mês é o caso clássico: a taxa não aparece em lugar nenhum da operação e derruba o resultado final.

O exemplo que fecha a conta

Uma loja em agosto:

  • receita: R$ 80.000
  • custo das mercadorias vendidas: R$ 46.000
  • despesas operacionais: R$ 24.000
  • impostos e taxas financeiras: R$ 7.200

`` Lucro bruto = 80.000 − 46.000 = 34.000 → margem bruta 42,5% Lucro operacional= 34.000 − 24.000 = 10.000 → margem operacional 12,5% Lucro líquido = 10.000 − 7.200 = 2.800 → margem líquida 3,5% ``

Faturou R$ 80 mil e sobraram R$ 2.800. A margem bruta de 42,5% é saudável — o problema não está no preço. Está nos R$ 24 mil de estrutura, que consomem 30% da receita.

Sem separar as três, o dono desta loja ia mexer no preço, perder venda e piorar o quadro.

Margem de contribuição: a que decide o que vender

Existe uma quarta, e ela é a mais útil no dia a dia:

`` Margem de contribuição = Preço de venda − Custos e despesas variáveis ``

É quanto cada venda contribui para pagar o custo fixo. Ela se calcula por produto, e é o que mostra que aquele item campeão de vendas contribui menos que outro que sai pela metade do volume.

Some a margem de contribuição de tudo que você vendeu no mês. Se o resultado for menor que o custo fixo, o mês fecha no vermelho por mais que se venda.

O ponto de equilíbrio sai de graça dela

`` Ponto de equilíbrio = Custo fixo / (Margem de contribuição / Preço) ``

É quanto você precisa vender para não ter prejuízo. Todo dono deveria saber esse número de cabeça — é ele que diz se o dia foi bom antes de fechar o caixa.

Três erros que invalidam a conta

  1. Confundir margem com markup. Margem é sobre o preço; markup é sobre o custo. A conta certa está em como formar preço de venda.
  2. Usar faturamento em vez de receita. Devolução, cancelamento e desconto saem antes. Faturamento bruto infla todas as margens.
  3. Esquecer o pró-labore. Quem não se paga tem margem falsamente boa — e descobre isso no dia em que precisar contratar alguém para fazer o que faz.

Onde o Criando Gestão ajuda

As três margens saem do DRE, e o sistema monta o seu a partir dos lançamentos que você já faz — sem digitar nada duas vezes. O relatório separa receita, custo e despesa por categoria, que é o recorte de que as fórmulas precisam.

O modelo de DRE explica a estrutura do demonstrativo, e o capital de giro responde a outra metade do problema: por que falta dinheiro mesmo com margem positiva.

Para ler depois

Ler é o primeiro passo. Fazer é o segundo.

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