Separar conta pessoa física e jurídica: por onde começar
O que a mistura esconde, como definir o pró-labore, os cinco passos da separação e o que fazer quando você precisa mesmo usar o dinheiro da empresa.
Margem bruta, operacional e líquida: o que cada uma denuncia, um exemplo de R$ 80 mil que sobra R$ 2.800 e a margem de contribuição, que decide o que vender.
"Faturei R$ 80 mil e não sobrou nada." É a frase mais comum na conversa entre dono de pequeno negócio e contador — e quase sempre ela vem acompanhada de outra: ninguém sabe dizer em qual etapa o dinheiro sumiu.
Margem de lucro é o número que responde isso. E não existe uma: existem três, e cada uma acusa um problema diferente.
`` Margem bruta = (Receita − Custo do produto vendido) / Receita × 100 ``
Mede o que sobra depois do custo do que você vendeu — a mercadoria, o insumo, a matéria-prima. Não inclui aluguel nem folha.
Margem bruta baixa é problema de preço ou de compra: ou você vende barato demais, ou compra caro demais.
`` Margem operacional = (Lucro bruto − Despesas operacionais) / Receita × 100 ``
Tira as despesas de manter a porta aberta: aluguel, luz, folha, contador, software, marketing.
Margem operacional baixa com margem bruta boa é problema de estrutura: o negócio vende bem e custa demais para funcionar.
`` Margem líquida = Lucro líquido / Receita × 100 ``
O que sobra no fim, depois de impostos e de despesas financeiras — juros, antecipação de recebível, tarifa de banco.
Margem líquida baixa com operacional boa costuma ser imposto ou banco comendo o resultado. Antecipar recebível todo mês é o caso clássico: a taxa não aparece em lugar nenhum da operação e derruba o resultado final.
Uma loja em agosto:
`` Lucro bruto = 80.000 − 46.000 = 34.000 → margem bruta 42,5% Lucro operacional= 34.000 − 24.000 = 10.000 → margem operacional 12,5% Lucro líquido = 10.000 − 7.200 = 2.800 → margem líquida 3,5% ``
Faturou R$ 80 mil e sobraram R$ 2.800. A margem bruta de 42,5% é saudável — o problema não está no preço. Está nos R$ 24 mil de estrutura, que consomem 30% da receita.
Sem separar as três, o dono desta loja ia mexer no preço, perder venda e piorar o quadro.
Existe uma quarta, e ela é a mais útil no dia a dia:
`` Margem de contribuição = Preço de venda − Custos e despesas variáveis ``
É quanto cada venda contribui para pagar o custo fixo. Ela se calcula por produto, e é o que mostra que aquele item campeão de vendas contribui menos que outro que sai pela metade do volume.
Some a margem de contribuição de tudo que você vendeu no mês. Se o resultado for menor que o custo fixo, o mês fecha no vermelho por mais que se venda.
`` Ponto de equilíbrio = Custo fixo / (Margem de contribuição / Preço) ``
É quanto você precisa vender para não ter prejuízo. Todo dono deveria saber esse número de cabeça — é ele que diz se o dia foi bom antes de fechar o caixa.
As três margens saem do DRE, e o sistema monta o seu a partir dos lançamentos que você já faz — sem digitar nada duas vezes. O relatório separa receita, custo e despesa por categoria, que é o recorte de que as fórmulas precisam.
O modelo de DRE explica a estrutura do demonstrativo, e o capital de giro responde a outra metade do problema: por que falta dinheiro mesmo com margem positiva.
O que a mistura esconde, como definir o pró-labore, os cinco passos da separação e o que fazer quando você precisa mesmo usar o dinheiro da empresa.
A régua de cobrança com prazos, o que o Código de Defesa do Consumidor permite e proíbe, três mensagens prontas e como evitar a inadimplência antes da venda.
O dinheiro que fica preso na operação, a fórmula com estoque e prazos, o ciclo financeiro e quatro formas de precisar de menos giro sem ir ao banco.
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