Taxa de serviço de 10%: é obrigatória e de quem é o dinheiro
A taxa de serviço não é obrigatória, e a Lei 13.419 diz de quem é o dinheiro. O que muda na conta, no caixa e no acerto com a equipe no fim do turno.
A fórmula do CMV, um exemplo fechado em reais, as faixas por tipo de casa e os quatro furos que inflam o número sem ninguém perceber.
CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida, e no restaurante ela responde uma pergunta só: de cada R$ 100 que entram no caixa, quanto foi embora em comida e bebida?
É o número que separa o restaurante que fatura bem do restaurante que ganha dinheiro. E é uma conta de subtração que cabe numa linha — o difícil não é calcular, é ter os três números certos para colocar nela.
`` CMV = Estoque inicial + Compras do período − Estoque final ``
O resultado é em reais. Para virar o percentual que todo mundo cita, divida pelo faturamento do mesmo período:
`` CMV % = CMV / Faturamento × 100 ``
Repare no que a fórmula não tem: ela não pergunta o que foi vendido. Ela mede o que saiu da prateleira — e isso inclui o que foi servido, o que queimou, o que estragou na câmara e o que saiu pela porta dos fundos. É de propósito, e é o que faz o CMV ser um diagnóstico, não um relatório.
Um restaurante fechou março assim:
`` CMV = 12.000 + 38.000 − 9.500 = R$ 40.500 CMV % = 40.500 / 118.000 = 34,3% ``
Trinta e quatro por cento do que entrou saiu em insumo. Se esse restaurante trabalha com a meta de 32%, ele deixou cerca de R$ 2.700 no caminho em um mês só.
Depende do tipo de casa, e quem disser um número único está vendendo alguma coisa. As faixas que se usam no mercado brasileiro:
O número absoluto importa menos que a direção. Um CMV de 36% estável é um problema conhecido, e dá para atacar; um CMV que foi de 30% para 36% em dois meses é um vazamento acontecendo agora.
O estoque final é metade da fórmula. Contar no domingo de manhã e no mês seguinte contar na quarta à noite compara coisas diferentes — e o CMV dança sem que nada tenha mudado na operação. Conte sempre no mesmo momento do ciclo, com a mesma régua.
Se a porção de fritas é "um punhado", cada cozinheiro serve uma porção diferente, e a diferença some dentro do CMV. É aqui que entra a ficha técnica: a receita escrita com a gramagem de cada ingrediente, que transforma "um punhado" em 180 gramas.
Prato que voltou, copo que quebrou, carne que passou do ponto. Cada um é pequeno; somados num mês, costumam ser o ponto percentual que falta para bater a meta. Anotar a perda não a elimina — mas transforma um mistério em uma conta que dá para atacar.
É por isso que, num sistema de comanda, o item que sai da conta deve ser cancelado com motivo, e não apagado. "Veio errado da cozinha" e "cliente desistiu" são vazamentos diferentes, e só o motivo separa os dois.
O fornecedor de sempre está sem alho, alguém corre no mercado e paga o dobro. A nota some no bolso, e o que fica é um CMV alto sem explicação. Toda compra entra na conta, inclusive a de R$ 40 feita às pressas.
Com honestidade sobre o que ele faz hoje e o que não faz.
O que ele já resolve: o faturamento, que é o denominador da conta. A comanda eletrônica registra o consumo de cada mesa e o fechamento vira venda, então o total do período existe sem ninguém somar caderno. As compras de insumo entram no módulo de Compras, com a nota e o fornecedor — que é o outro número da fórmula.
O que ele ainda não faz: descontar o ingrediente do estoque quando o prato é vendido. Isso exige a ficha técnica de cada prato, e ela está no roteiro do aplicativo, não no sistema de hoje. Enquanto isso, o estoque de insumo se confere por inventário, como na fórmula lá de cima.
Dizer isso antes é o que faz o resto ser acreditável: um CMV calculado a partir de dado que o sistema não coleta seria um número bonito e errado.
Se você ainda está no papel, comece pela planilha de controle de restaurante, que tem as abas prontas para as duas pontas dessa conta.
A taxa de serviço não é obrigatória, e a Lei 13.419 diz de quem é o dinheiro. O que muda na conta, no caixa e no acerto com a equipe no fim do turno.
As quatro abas que a planilha de controle de restaurante precisa ter, duas fórmulas que valem o trabalho e os três sinais de que ela parou de servir.
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