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Modelo de DRE: a estrutura pronta para copiar, linha por linha

O modelo de DRE pronto para copiar: receita, deduções, custo, despesas e lucro, com um exemplo preenchido e o jeito de gerar tudo automático, de graça.

Por Equipe Criando Gestão5 min de leitura

O DRE — Demonstração do Resultado do Exercício — responde a pergunta que o extrato do banco não responde: o mês deu lucro ou prejuízo, e de onde veio o resultado? Aqui está o modelo pronto para copiar, a explicação de cada linha e um exemplo preenchido com números de um comércio pequeno.

O modelo de DRE, pronto para copiar

A estrutura é sempre a mesma, de cima para baixo:

  1. Receita bruta — tudo o que foi vendido no período
  2. (-) Deduções — impostos sobre a venda, devoluções e cancelamentos
  3. (=) Receita líquida — o que a venda rendeu de verdade
  4. (-) Custos — o que a mercadoria ou o serviço vendido custou
  5. (=) Lucro bruto — a margem antes das despesas
  6. (-) Despesas operacionais — aluguel, salários, energia, marketing
  7. (=) Resultado operacional — o que a operação gera sozinha
  8. (-) Resultado financeiro — juros pagos, menos juros recebidos
  9. (=) Resultado do período — o lucro ou o prejuízo final

As linhas com (=) são contas feitas a partir das anteriores. As linhas com (-) são as que você preenche — e é nelas que mora todo o trabalho.

O que entra em cada linha

Receita bruta

Tudo o que foi vendido no mês, pelo valor cheio. Venda parcelada entra inteira aqui: a receita é do mês em que você vendeu, não dos meses em que as parcelas caem. Esse princípio tem nome — competência — e é ele que separa o DRE do fluxo de caixa. Se você registra as vendas numa planilha de vendas, é o total dela que abre o DRE.

Deduções

Os impostos que incidem sobre a venda — no Simples Nacional, o DAS — mais devoluções e cancelamentos. Um cuidado que evita o erro mais comum: IPTU, alvará e taxas fixas não entram aqui. Eles não dependem da venda, então são despesa operacional. Misturar os dois incha as deduções e esconde despesa fixa demais.

Custos

No comércio, o CMV: o custo da mercadoria vendida — não da comprada. Se você comprou R$ 30 mil em mercadoria e vendeu metade, o custo do mês é o custo daquela metade. Quem mantém uma planilha de estoque com custo médio tira esse número dela. No serviço, o raciocínio é o mesmo, com material e mão de obra direta.

Despesas operacionais

O que mantém a porta aberta mesmo sem vender: aluguel, salários e pró-labore, energia, internet, contador, marketing. A regra de bolso: se a conta continua chegando quando a venda para, ela é operacional.

Resultado financeiro

Juros e multas pagos de um lado, rendimento de aplicação do outro. Em negócio pequeno esse número costuma ser só negativo — cheque especial, juros de cartão, multa de atraso. Vê-lo separado, em vez de diluído nas despesas, já paga o trabalho de montar o DRE.

Exemplo de DRE preenchido

Um comércio pequeno, num mês comum:

  • Receita bruta: R$ 40.000
  • (-) Deduções (DAS + devoluções): R$ 4.400
  • (=) Receita líquida: R$ 35.600
  • (-) Custo da mercadoria vendida: R$ 18.000
  • (=) Lucro bruto: R$ 17.600 — margem bruta de 49% sobre a receita líquida
  • (-) Despesas operacionais: R$ 13.200
  • (=) Resultado operacional: R$ 4.400
  • (-) Juros pagos: R$ 600
  • (=) Resultado do período: R$ 3.800

Esse dono "vende bem" — R$ 40 mil por mês — e leva R$ 3.800. O DRE mostra onde o dinheiro fica pelo caminho: mais de um terço da receita líquida vai em despesa fixa. Sem essa conta, a reação típica é tentar vender mais; com ela, dá para ver que o aperto vem de outro lugar.

DRE por competência ou por caixa?

O DRE clássico é por competência: a receita conta no mês da venda e a despesa no mês em que foi gerada, não importa quando o dinheiro andou. Existe também a visão de caixa, que segue o dinheiro. As duas respondem perguntas diferentes — "a operação dá lucro?" e "o dinheiro deu?" — e podem divergir no mesmo mês sem que exista erro nenhum: uma venda em 3x aparece inteira na competência de agora e espalhada no caixa dos próximos meses. O ideal é olhar as duas, cada uma com o nome certo.

Os erros que fazem o DRE mentir

  • Lançar imposto fixo (IPTU, alvará) como dedução de venda
  • Usar o total comprado no mês como custo, em vez do custo do que foi vendido
  • Esquecer o pró-labore — o lucro fica falsamente alto e some quando o dono se paga
  • Registrar venda parcelada só quando a parcela cai — isso é caixa, não competência
  • Deixar lançamento sem categoria e jogar tudo em "despesas gerais"

Precisa montar isso na mão?

Depende de onde os lançamentos moram. Se estão em planilha, o modelo acima resolve — o trabalho é manter a disciplina de categorizar tudo, todo mês. Se você já registra receitas e despesas num sistema, o DRE deveria sair pronto. No Criando Gestão, cada categoria já nasce apontando para uma linha do DRE, e o relatório sai nas duas visões — competência e caixa — com exportação em CSV para mandar ao contador. É gratuito, como o resto do sistema: veja as funcionalidades. E se quem pediu o DRE foi o seu contador, mostre a ele a página para contadores.

Para ler depois

Ler é o primeiro passo. Fazer é o segundo.

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