Planilha de controle de pacientes: o modelo e os limites dele
As nove colunas que a planilha de controle de pacientes precisa ter, duas fórmulas úteis e o aviso que falta: ficha de paciente é dado sensível pela LGPD.
As cinco travas que separam um prontuário eletrônico gratuito de um bloco de notas: assinatura que fecha o texto, correção por adendo e guarda de 20 anos.
Trocar o papel pelo computador no consultório é uma decisão que parece de informática e é de responsabilidade. O prontuário não é a ficha do cliente: é documento médico-legal, e o que se perde nele não se recupera com backup.
Este artigo não vende software. Ele lista o que perguntar a qualquer prontuário eletrônico gratuito antes de digitar o primeiro paciente — inclusive ao nosso.
Sistema de saúde de graça costuma ter uma das quatro respostas abaixo, e três delas são problema seu:
Não existe resposta certa em abstrato. Existe resposta que precisa estar escrita antes de você começar.
Um campo de texto com a data em cima não é prontuário. O que faz dele documento são as travas — e trava que a tela esconde mas o sistema aceita não é trava.
Enquanto o registro é rascunho, o médico corrige à vontade. No momento em que ele assina, o texto fecha. Sem isso, o prontuário não prova nada: qualquer anotação poderia ter sido escrita depois do problema.
Pergunte especificamente: o sistema recusa a alteração, ou só esconde o botão de editar? São coisas diferentes.
Errou, esqueceu de anotar, o exame chegou depois: a correção entra embaixo, como adendo, com data e autor próprios. Apagar o que estava escrito destrói a prova de quem fez o quê, e é justamente por isso que a correção soma em vez de substituir.
O Conselho Federal de Medicina exige guarda de 20 anos a contar do último registro. Um sistema que ofereça "excluir prontuário" — mesmo ao dono da clínica, mesmo com senha, mesmo com confirmação — está oferecendo uma operação que a lei não permite.
A pergunta que resolve: existe algum caminho, em alguma tela, que faça um prontuário assinado sumir? Se existe, é a tela errada.
Depois de um vazamento, a pergunta não é "quem escreveu", é "quem abriu". E ela não tem resposta se ninguém anotou. Abertura de prontuário é a única leitura que vale a pena registrar num sistema — e quase nenhum registra.
Pressão, peso, altura e temperatura digitados no meio do texto viram parágrafo. Em campo próprio, viram série: dá para ver a pressão dos últimos seis meses numa linha, que é a informação que muda a conduta.
Aqui vale a franqueza, porque a decepção depois custa mais que a honestidade agora. Duas coisas continuam fora do alcance de praticamente todo prontuário gratuito, o nosso incluído:
Se o seu consultório depende de uma das duas, o prontuário gratuito é um passo, não o destino.
O erro mais comum na troca é querer digitar dez anos de papel antes de usar o sistema. Ninguém termina esse trabalho, e a clínica passa meses com metade em cada lugar.
O caminho que funciona é o contrário: o papel antigo continua no arquivo, e o sistema começa do próximo atendimento. Em seis meses o histórico útil já está digital, e o arquivo virou consulta rara.
O prontuário do Criando Gestão segue as cinco regras acima e é gratuito por inteiro — sem limite de pacientes, de médicos ou de consultas, e sem cartão de crédito no cadastro. Ele vem junto do resto: a agenda, o faturamento de convênio e o financeiro da clínica no mesmo lugar. A página do sistema para clínicas mostra o caminho inteiro, da recepção ao recebimento.
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